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Abril-Maio 2002 - O Ministério da Defesa (MoD) começa a organizar um "dossier" sobre as armas de destruição maciça (ADM) do Iraque. David Kelly, especialista em ADM, do MoD e da ONU, é consultado.
3 de Setembro - Tony Blair promete publicar um relatório com provas sobre as ADM iraquianas.
5 de Setembro - O primeiro "draft" é posto em circulação. Alaistair Campbell, conselheiro de comunicação de Blair, diz num e-mail que ele precisa de "uma substancial reescrita (...) de acordo com uma discussão com TB [Tony Blair]".
17 de Setembro - O chefe de gabinete de Blair, Jonathan Powell, envia um e-mail sublinhando que o relatório não apresenta provas de "uma ameaça iminente".
19 de Setembro - John Scarlett, ex-chefe do MI6 e coordenador dos serviços secretos (JIC), reescreve o texto.
24 de Setembro - O Governo publica o relatório, que afirma que o Iraque pode accionar ADM em 45 minutos. Blair diz nos Comuns que Bagdad é uma "ameaça séria e actual".
O suicídio (2003) 22 de Maio 2003 - David Kelly encontra-se com o jornalista Andrew Gilligan, da BBC, num hotel de Londres.
29 de Maio - Num programa radiofónico da BBC, Gilligan afirma que o relatório de 24 de Setembro "apimentou" a informação para justificar a guerra. Cita "um dos altos funcionários ligados à redacção do dossier".
2 de Junho - A jornalista Susan Watts, da BBC, no programa "Newsnight", cita um "alto funcionário" que diz que os serviços secretos foram postos sob grande pressão na questão dos "45 minutos".
8 de Junho - Gilligan insinua que Alaistair Campbell é o responsável pelo empolamento do relatório.
25 de Junho -Campbell desmente Gilligan e exige desculpas à BBC. Esta denuncia "uma pressão sem precedentes da Downing Street".
30 de Junho - Kelly informa o seu chefe, Bryan Wells, de que se encontrou com Gilligan. Será interrogado no MoD a 4 e a 7 de Julho.
6 de Junho - Os governadores da BBC exprimem um apoio incondicional a Gilligan.
10 de Julho - "The Guardian, "The Times" e "Financial Times" revelam o nome de Kelly como fonte de Gilligan.
15 de Julho - Kelly é interrogado na Comissão de Negócios Estrangeiros do Parlamento e declara que não foi "a fonte principal" de Gillligan. No dia seguinte, é ouvido, à porta fechada, pela Comissão de Segurança e Informações.
17 de Julho - Kelly suicida-se. O inquérito 21 de Julho - O Governo ordena um inquérito às circunstâncias da morte do cientista, presidido por Lord Hutton, magistrado da Câmara dos Lordes.
1 de Agosto - Primeira audiência do inquérito, centrada no exame forense e no depoimento de colegas sobre a personalidade do cientista.
11 de Agosto - Início da audição das testemunhas. Dois funcionários dos serviços secretos exprimem dúvidas sobre o conteúdo do relatório.
12 de Agosto - A BBC transmite a Lord Hutton um e-mail interno em que um chefe de redacção aponta erros ao trabalho de Gilligan.
13 de Agosto - Susan Watts acusa a hierarquia da BBC de pressões para corroborar a versão de Gilligan. Entrega uma gravação de uma conversa telefónica com Kelly.
14 de Agosto - Blair é referido pela primeira vez, como exigindo ao MoD uma maior pressão sobre Kelly.
19 de Agosto - Alaistair Campbell nega qualquer intromissão no relatório.
21 de Agosto - Uma testemunha revela que Kelly lhe disse que a crónica de Gilligan era "merda". Um especialista da ONU afirma que Kelly lhe disse, antes da guerra, que se houvesse invasão do Iraque ele acabaria "por ser provavelmente encontrado morto num bosque".
23 de Agosto - Lord Hutton divulga, via Internet, 900 documentos reservados ou secretos relativos ao caso.
26 de Agosto - John Scarlett nega ter havido pressões do gabinete do primeiro-ministro e assume os "45 minutos".
28 de Agosto - Blair testemunha, negando qualquer manipulação do "dossier" e assumindo a responsabilidade política da decisão que levou à divulgação do nome de Kelly.
29 de Agosto - Alaistair Campbell demite-se. 13 Outubro - Kevin Tebbit, secretário-geral do MoD, declara que a decisão de passar à imprensa o nome de Kelly foi tomada numa reunião presidida por Blair e depois executada pelo MoD.
A conclusão (2004) 8 de Janeiro - Blair declara que se demitirá caso o relatório Hutton considere que ele mentiu ao Parlamento.
28 Janeiro - Lord Hutton apresenta as conclusões do inquérito. No essencial, iliba Blair e critica a BBC.
(Fontes: "The Guardian" e AFP)
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